A Subcultura Gótica e sua contextualização

Neste artigo se pretende apenas referenciar em linhas gerais alguns termos a respeito da Subcultura Gótica no sentido de um grupamento social relativamente independente, dentro de um outro grupamento cultural dominante.
Não é nossa intenção analisar em profundidade o assunto, nem tampouco conceituar o termo em si, até porque termos oriundos de qualquer Ciências Sociais tem, pelo menos, mais de um sentido.
Nosso objetivo é apresentar ao leitor a forma que a Subcultura Gótica tende a integrar as diversas esferas de conhecimento e relação social através dos quais o estilo subcultural é expresso.
Para iniciarmos, vamos conhecer a definição de cultura e subcultura.

Cultura:


Segundo o antropólogo Edward B. Taylor, no sentido sociológico, 'cultura'é:
"todo complexo que abarca conhecimentos, crenças, artes, moral, leis, costumes, e outras capacidades adquiridas pelo homem como integrante de uma sociedade".

Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo.
Importante não entender "cultura" aqui no sentido limitado de erudição ou cultura letrada.
Muitas culturas são formadas a partir da fusão das culturas de outros povos, gerando um novo padrão. Muitas culturas possuem subculturas no seu interior.

Subcultura:


Sebastião Vila Nova, em "Introdução à Sociologia", afirma que Subcultura pode significar
"uma parte de uma cultura" que possui um conjunto diferenciado de "valores, crenças, normas e padrões de comportamento, portanto um modo de vida compartilhado por parte de uma população".


De fato, uma subcultura indica um agrupamento relativamente independente dentro de uma sociedade diferente.
As subculturas, reproduzem de uma forma mais flexível as estruturas de culturas tradicionais das sociedades integradas, advindas do passado, mas com a vantagem de você poder entrar e sair dela e questioná-la ou construir criativamente comportamentos desviantes.

A participação do tipo subcultural acontece em um grupo social que possui uma visão de mundo diferenciada da sociedade dominante, mas também diferente de outras subculturas.

Subcultura Gótica:


Atualmente, o conceito do significado do termo gótico, quando aplicado à subcultura, é muito amplo.
Quando nos sentimos atraídos por uma subcultura, as vezes apaixonadamente, acontece porque geralmente as representações da visão de mundo desta subcultura englobam, combinam parcialmente ou produzem uma integração na nossa visão de mundo pessoal.
Subculturas não podem ser substitutos de nossa identidade, elas apenas fazem parte de nossa identidade em si, juntamente com outras coisas.
Uma pessoa pode ser gótica e ao mesmo tempo ser várias outras coisas não necessariamente relacionadas a subcultura Gótica.
Fazer parte da subcultura gótica não é necessário um isolamento ou oposição a nenhuma "cultura dominante".

A subcultura gótica é um movimento sócio-cultural envolvido num contexto artístico e comportamental, que abrange manifestações artísticas como a música, literatura, cinema, artes e até mesmo moda , entre outras expressões. Estes elementos atuam de modo a intensificar e multiplicar os outros componentes.

Os Góticos são muita vezes caricaturizados pela mídia como pessoas mórbidas ou obcecadas pela morte. Esta visão redutora e preconceituosa não diz nada sobre a Subcultura Gótica.
Quem freqüenta a cena Gótica, logo percebe o quanto ela é bastante divertida e vivaz, como em qualquer outra subcultura.
A mídia muitas vezes divulga e esteriotipa, caricaturando o gótico a tal ponto que isto faz com que pessoas acabem rejeitando a Subcultura Gótica por motivos errados. Se você vai rejeitar e criticar, ou se vai se sentir atraído a ponto de querer conhecer mais sobre a subcultura gótica, é melhor que seja pelos motivos corretos.

Muitos Góticos podem ser melancólicos e saudosistas, mas isso não significa que obrigatoriamente todos devam ser assim.
Para os góticos, a vida tem tanto valor e deve ser aproveitada ao máximo exatamente por que temos ciência que ela tem fim. Neste sentido a nossa consciência nos faz refletir e valorizar mais cada momento de nossa vida, ao mesmo tempo que este prazer é atravessado por uma certa melancolia inerente à condição humana.
Ninguém gosta de sofrer, a questão é que o sofrimento e as perdas fazem parte da vida, e vivemos em uma cultura que esconde ou não se relaciona muito bem com isso, principalmente com o tema "morte". Na subcultura gótica não existe nenhuma apologia ao sofrimento.
O humor negro também é uma característica essencial na cena Gótica e muitas vezes é mal interpretado.
Uma das características essenciais da subcultura gótica, é a sacralização de sua cultura, considerando a poesia e outras artes como um símbolo importante. A diferença não está em valorizar a "cultura", mas considerar que esta possui um valor muito mais importante do que outras coisas.
Assim, algumas pessoas desenvolvem alguns elementos mais do que outros. Isso que faz com que o gótico permaneça "indivíduo" mesmo dentro de uma subcultura.
Qualquer que seja a sociedade, não existe a possibilidade de um indivíduo dominar todos os aspectos de sua cultura.

A subcultura gótica se organiza de uma forma que desenvolve sua mídia própria e seu sistema micro-econômico, e que estas estruturas só são subculturais enquanto estão integradas e servem a outras estruturas subculturais, como o significado, a diferenciação cultural e a integração deste grupo.

O Gótico é uma subcultura completa. Sem dúvida a música é um eixo importante. Mas, como em qualquer cultura, outros elementos também as constitui.
Há um verdadeiro circuito cultural que não se baseia apenas na música e no comportamento, mas em todas as outras expressões artísticas presentes em cada gótico!

Carpe Noctem!!


Fontes de pesquisas:
Hodkinson, Paul: Goth: Identity, Style and Subculture (Dress, Body, Culture Series) 2002: Berg.
Kilpatrick, Nancy: The Goth Bible: A Compendium for the Darkly Inclined. 2004: St. Martin's Griffin.
Laraia, Roque de Barros . Cultura: Um Conceito Antropológico. Zahar, 2001.
Vila Nova, Sebastião: Introdução a Sociologia. Atlas, 2004.
Gothicstation

Vanessa Blogueira nas horas vagas. Adora internet, apaixonada por programas gráficos, tecnologia e web design,e fascinada pela arte obscura, pela cultura gótica e manifestações artísticas ligadas ao universo sombrio.
Links:Twitter | Google+

Gostou do artigo? Compartilhe-o na rede!

Comente com o Facebook:

4 comentários:

  1. Ola cleu, parabens pelo seu blog, gostei muito de todos os assuntos q vc aborda no seu blog, e principalmente de todo o visual dele, bom eu to criando um blog aqui, so q p downloads, de albums, de bandas de metal, e rock gotico em fim, depois q ele tiverbom deixo um link aqui p vc passar la, to ainda fazendo meu primeiro upload e por enquanto n tem nada la.
    mais parabens msmo vleu pelo conteudo continue assim.

    ResponderExcluir
  2. A mídia passa uma ideia errada sobre nós, então as pessoas que veem e que aderem a subcultura, acaba fazendo de uma forma errada tbm. já pra quem não acaba gostando já são pelas coisas erras.
    É importante ressaltar que a subcultura não é mais um Tabu.
    Parabéns pelo post e belas palavras!

    ResponderExcluir
  3. Velho lhe pedir permissão para postar está matéria em meu blog. achei muito da boa e prometo que colocarei os créditos bema vista.. espero por respostas. www.hellshu.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Shu,
    Só permitimos cópias parciais dos textos, desde que haja atribuição dos créditos de autoria, e sejam utilizados apenas como fonte de informação. Não permitimos fazer cópia integral dos nossos artigos. Você pode publicar sim, mas deve atribuir os créditos de autoria.

    ResponderExcluir

Seu comentário é SEMPRE bem vindo!
Assim que pudermos nós responderemos.
Ao deixar seu comentário, se quiser deixar a URL do seu blog, comente usando a opçãoOpenID
Muito obrigada e volte sempre!

 

Copyright © 2009-2015 - Universo Sombrio- Todos os Direitos Reservados | Template by Vanessa S. |