Somos Vampiros: Entrevista Adriano Siqueira

A Bonequinha


Havia uma certa vez, uma garota que esbanjava em todos os lugares, as majestosas cores das flores em suas roupas, sua pele suave como um pêssego maduro, seus olhos brilhavam como as estrelas numa noite de verão, suas mãos suaves e delicadas, sem andava com seus passos simples e nunca deixava de causar inveja em cada jardim que passava.

Um homem que adorava tirar fotos e montar esculturas em gesso das pessoas que fotografava, encontrou essa garota linda em um parque no centro da cidade e se encantou com tal beleza e suavidade em tudo que fazia.

Chegou a ela e iniciaram uma longa conversa que posteriormente se desdobrou em um trabalho de fotografia que entraria para a história.

Ela se encantou com o trabalho desse artista misterioso e se pôs a cooperar com seu trabalho. Foram ao seu estúdio para enfim, inciar as fotografias.
Durante uma conversa, a garota detalhou ao artista um sonho de infância, sonho esse que encheu o coração desse artista de alegria.
Ela disse que queria ser eternizada para sempre, com sua beleza estonteante. Então, o artista iniciou o que seria sua maior obra prima, primeiro fotografou parte a parte do corpo dessa bela jovem, após esse processo, reconstruiu as fotos a fim de remontar o corpo por inteiro.

Ao iniciar a escultura em gesso, foi sentindo dentro de si a cada lasca que tirava um desejo enorme de fazer algo maior do que simplesmente remontar um corpo em gesso, mas eternizar na bela jovem a sua eterna beleza.

Conseguindo convencer ela a fazer um trabalho diferente, levou-a a uma sala onde a despiu e a manteve seu corpo em formol para se manter preservada. Óbvio que com todo aquele liquido circulando em seu corpo, ela veio a falecer minutos depois. Porém seu corpo conservava a mesma beleza de antes. Retirado ele do tanque, limpou-o e passou um creme que fixava a pele e não enrugava. Seu rosto foi preenchido com maquiagem para preservar sua beleza feminina.
O cabelo foi lavado com vários produtos e secado com secador conseguindo mante-lo liso.
Suas roupas ainda mantinham-se as mesmas de antes. Após finalizado todo esse processo, ela foi levada ao mesmo parque que costumava passear nas tardes de sol.

Junto a um banco foi mantida sentada, com os olhos abertos preso com silicone e na boca um sorriso lindo e suave, suas pernas cruzadas e os olhos olhando o horizonte.

Várias pessoas vinham e tiravam fotos junto a essa obra de arte, sem saber que a pessoa em questão estava morta, tamanha era a perfeição desse artista.
Uns esculpem gesso, outros pessoas de verdade.


Autor: Alfredo Durante.

A cidade e seus vampiros

Uma aventura inédita sobre o caçador de vampiros Angelo Donnati

A cidade e seus vampiros
Por: Adriano Siqueira


– Condessa Lucifir, com todo o respeito, você está me pedindo o impossível!
– Pois eu achei o meu pedido bem equilibrado, Senhor Alex. Devo lembrá-lo de que precisa muito de mim. Os vampiros logo irão matar a sua namorada e eu controlo o exército de lobisomens na cidade. O preço da minha ajuda é que o senhor leve alguns de nossa alcateia para São Paulo e dê um bom lar para eles.
A rua estava vazia. As negociações continuavam. A condessa era uma mulher que chamava a atenção, Muitas tatuagens nos braços, Morena de olhos verdes. Seu rosto tinha duas marcas brancas abaixo do olho esquerdo em sentido horizontal, feita com tinta para a pele. Usava isso para tirar a atenção dos seus olhos. Cabelos com cores vermelhas, eram bem lisos que iam até o ombro. Ela era um pouco acima do peso. Tinha 1,70 de altura. Era forte, andava com passos firmes com suas botas que iam até as suas coxas e olhava para todos, bem nos olhos como se estivesse em algum tipo de desafio. Usava um Vestido de cor Vermelho escuro e preto. Estava acompanhada de dois homens armados que olhavam para todos os lados, vigilantes. Alex abaixou a cabeça, pois não havia como recusar os termos da condessa. Mas tentou ser durão:
– Não me importa quantos lobos você comanda. Não sou um cara rico, só levarei um lobisomem para São Paulo!
– Cinco! – disse a condessa.
– Três! E nenhum lobo a mais! – disse Alex.
A condessa olhou para os seus lobos e depois deu de ombros.
– Tá, isso não é importante. Estamos combinados. Atacaremos esta noite.
– Eu quero ir junto.
A condessa lhe dirigiu um olhar que o deixou aterrorizado. Um dos seguranças o advertiu:
– Não seja burro, garoto. Eles matam humanos não só pelo sangue, mas por prazer também, e a sua namorada os traiu. Talvez ela nem esteja mais neste mundo.
Alex não teve saída a não ser concordar, e seguiu para o seu hotel lembrando como tudo começou.

São Paulo – 10 horas antes

Alex pegou o celular e enviou uma mensagem para o seu amor que conheceu na rede social:
“Finalmente estou indo conhecê-la pessoalmente, minha amada”.
Seu nome, Fystean. Ela morava em Curitiba. Mas isso não era um problema para Alex. Ele gostava de viajar, e conhecê-la pessoalmente era o que ele mais queria.
Alex tinha 35 anos, cabelos loiros, usava óculos de grau muito forte e era muito tímido. Não era muito apreciado pelas mulheres e geralmente só conhecia as pessoas pela internet, mesmo. Trabalhava como free-lancer produzindo sites para alguns amigos ricos, e com isso pretendia montar a sua própria empresa, mas nunca ganhou o suficiente. Já a sua amada Fystean era uma garota de apenas 23 anos. A sua família fazia parte da burguesia curitibana, gente de muita pose, carros, propriedades. A garota gostava de literatura, dança, rede social e... Vampiros. E Alex também. Dos vampiros, é claro. Foi assim que eles se conheceram. Falavam horas sobre desmortos pelo Skype. Ela, morena e muito bonita, se dizia uma vampira. Dinheiro não a interessava muito. O que ela dava valor, segundo ela, eram as amizades. Amigos são raros, principalmente para quem vivia sendo enganada pelos antigos namorados, completava ela, deixando Alex ainda mais apaixonado.
Depois de alguns meses de namoro online, Alex foi conhecê-la. Depois de pegar o avião e aterrissar em Curitiba, instalou-se num hotel chique, um dos mais conhecidos da cidade, que Fystean havia reservado para ele. Quando entrou no quarto, abandonou as malas e se jogou na cama, feliz. Deu um grande sorriso, imaginando os momentos incríveis com a amada que estavam para acontecer. Mas logo se levantou, dizendo:
– Hora do banho, pois será uma adorável noite...
Quando Alex entrou no banheiro, levou o maior susto ao encontrar ali um homem desconhecido, que aparentava ter a mesma idade que ele, porém, com o físico bem mais forte. O estranho avançou e jogou o rapaz no chão com facilidade. E ainda apontou o dedo para o nariz de Alex e avisou:
– Saia desta cidade enquanto ainda tem tempo!
O estranho deixou o banheiro em seguida e Alex correu atrás dele para saber o que estava acontecendo, mas, quando abriu a porta, Fystean surgiu de repente e lhe deu um abraço bem apertado. Os olhos do Alex, confusos, correram pelo quarto em todas as direções à procura do homem que o atacara, mas nem sinal dele. E Fystean falava sem parar:
– Quando a gerência do hotel ligou, eu vim o mais rápido que podia. Como é bom vê-lo pessoalmente, poder tocar em você, meu amor! É um sonho que realizo! E tenho muitos ainda para realizar com você...
Ela estava tão linda que Alex quase se esqueceu do intruso. Mas, ao fechar a porta, disse com um sorriso tímido:
– Sua cidade é cheia de surpresas. Tinha um cara aqui, mal-encarado e forte, dizendo para eu ir embora.
– Oh... Como isso pôde acontecer?  Me desculpe, Alex, vou providenciar mais seguranças para o hotel. Às vezes somos atacados injustamente... Mas não se preocupe com isso, vamos jantar!
Alex ficou imaginando quem e por quê alguém atacaria alguém adorável como Fystean, mas resolveu não encompridar o assunto. Ambos desceram de elevador e um motorista já os esperava na porta do hotel, com um carrão de luxo, um Audi blindado com a porta do passageiro aberta, à espera do casal. Logo seguiam rumo ao restaurante, enquanto o carro era escoltado e vigiado por duas motos. Intrigado, Alex não aguentou segurar a sua curiosidade e comentou:
– Você deve ser mesmo uma celebridade por aqui. Tem tantos seguranças para protegê-la!
Fystean sorriu de modo peculiar.
– Oh, é um mal necessário. Sempre acontece algo perigoso comigo. Existem muitos caçadores...
Alex olhou para os lados, depois para a Fystean, e perguntou. 
– Caçadores? Mas do que diabos você está falando?
 Quando Fystean ia começar a explicar, o motorista manobrou rápido o carro para a esquerda, entrando numa rua bem estreita, e, para a surpresa de Alex, prosseguiu pela ruazinha raspando as laterais do Audi nas paredes. Assustado, o rapaz olhou para trás e viu os dois motoqueiros sendo atropelados por um carro-forte preto. O Audi acelerou mais e mais, tentando desesperadamente chegar a um túnel próximo. De repente, outro carro forte preto apareceu em frente ao túnel, bloqueando-lhes a passagem. O motorista freou de forma violenta. Para o desespero de Alex, o homem olhou para os passageiros com ar desvairado e gritou:
– Estamos ferrados! Fujam! Rápido!
Fystean e Alex não conseguiam, porém, abrir as portas, pois as paredes estavam muito próximas. Não havia como escapar. O motorista abaixou-se quando quatro homens armados começaram a disparar contra o vidro à prova de balas. Alex e Fystean fizeram o mesmo na mesma hora.
– Mas que droga está acontecendo? – gritou Alex. Para piorar, o seu celular começou a tocar uma música conhecida. Era só o que faltava!
– Alô! Mãe! T-tudo bem aqui! – gaguejou ele. – O quê? Ah, tô no cinema vendo um filme de ação com a namorada! Não, mãe, a senhora não a conhece! Depois explico tudo, não dá pra falar agora! Beijos!
Fystean, nesse instante, espiava pelo vidro traseiro do carro, onde mais um carro forte avançava na direção deles. A garota voltou-se para o Alex e disse com ar de pesar:
– Sinto muito, meu amor, por trazer você até aqui para morrer.
– Como assim? Eu não quero morrer! – gritou Alex, desesperado.
– Calma, seu bobo! – Ela deu uma risadinha. – Eu só estava brincando.
Em seguida, Fystean apertou um botão na porta ao seu lado, fazendo abrir um pequeno esconderijo com várias armas.
– Agora, Alex, me siga e vai sair tudo bem.
Enquanto o motorista acionava um botão e disparava uma carga de minimísseis, Fystean abriu o capô do carro e subiu pelas paredes – literalmente. Alex olhou, atônito, para o alto e gritou:
– Seguir? Como vou seguir você? Não fui picado por nenhuma aranha radioativa!
Com uma risada, o motorista acionou o botão da cadeira ejetora onde Alex estava. Ele nem conseguiu gritar, graças à rapidez com que foi jogado para o alto. Ainda bem, pois não seriam apenas gritos que sairiam dele, se soubesse antes o que iria acontecer. Fystean agarrou Alex no ar e o puxou para o telhado do prédio. Depois disse com ar grave:
– Bom, querido, acho que é hora da gente se conhecer melhor. Sabe como é, né, tipo... Preciso te dizer que sou uma vampira.
– Eu sei, Fystean – disse Alex. – Você já me disse isso.
Ela abanou a cabeça.
– Amor, você não entendeu. Eu sou uma vampira de verdade. Vampiros, nosferatus, desmortos existem, e eu sou uma deles.
Antes que Alex fechasse a boca, erguendo o queixo que tinha quase rolado no chão, a garota empunhou a arma que trouxera do carro e começou a atirar. Mas os homens que encurralavam o carro lá em baixo usavam coletes à prova de balas e os tiros só serviram para chamar a atenção dos perseguidores, que voltaram a sua carga para a direção do casal. Bufando de raiva, Fystean puxou Alex para mais perto dela e apertou o pino do seu relógio. Um campo de força foi ativado ao redor deles, protegendo-os das balas. Porém o seu motorista não teve a mesma sorte – nem o mesmo equipamento – e, quando os homens subiram no carro para lhe dar o tiro de misericórdia, apertou o botão do câmbio e explodiu junto com o carro.
Fystean ainda fez menção de salvá-lo, mas Alex a segurou a tempo.
– Calma, Fystean, agora não adianta mais.
– Malditos! Vão pagar pelo que fizeram! – gritava Fystean, fora de si.
– Vocês deviam ter dado um relógio desses pra ele também – disse Alex, abanando a cabeça e apontando para o relógio de campo de força de Fystean.
Antes que ela respondesse, o som de várias sirenes começou a soar. Alex correu para o outro lado do prédio e gritou:
– Fystean! A polícia está cercando o prédio, é melhor a gente...
Foi aí que um helicóptero surgiu do nada e dois homens, pendurados numa corda, jogaram uma rede sobre Fystean. Antes que Alex pudesse fazer algo, os filhos da mãe levaram a sua amada pelo céu, deixando-o na maior depressão.

Tempo Atual:

Alex esperava, nervoso, no quarto do hotel. Achava que a Condessa Lucifir ia mesmo atacar os raptores de Fystean, mas também sabia que o risco de dar tudo errado era grande. Apesar de saber agora que Fystean era uma vampira, e isso o assustasse muito, só conseguia pensar nela, se estava bem, se não estava ferida... Tinha que fazer alguma coisa. Foi até o notebook e começou a procurar no Google os especialistas sobre lobisomens e vampiros em São Paulo. Encontrou dois: Dr. Dirol e Demer Fela. Rapidamente, enviou mensagens para os dois e, depois de meia hora, as respostas chegaram - e praticamente diziam a mesma coisa:
“Saia daí! Volte para São Paulo sozinho e não fale com ninguém.”
– Grande ajuda! – resmungou Alex.
Nesse momento, alguém bateu na porta e uma voz de mulher soou:
– Boa noite, senhor Alex. Serviço de quarto.
– Um momento!
Alex pensou rápido. Não tinha pedido nada, portanto, só podia ser uma fria. E a história de vampiros de Fystean ainda estava na sua cabeça. Desmontou a cortina e pegou a madeira que segurava o tecido. Quebrou-o em duas partes para fazer uma estaca, como nos filmes. Foi bem a tempo, pois a porta foi jogada a vários metros de distância. Com o susto, Alex pulou para trás da cama. Uma loira (gostosa) entrou vagarosamente no quarto. Ela sorriu. Tinha uma dentição saliente de assustar qualquer dentista de comercial de pasta de dente.
– Fystean vai morrer – declarou ela. – Não podemos deixar pistas. E você, meu querido, é uma pista que fui paga para eliminar!
A loira pulou sobre a cama para agarrar o pescoço de Alex, mas ele conseguiu enfiar a madeira em seu coração, fazendo-a perder o equilíbrio. Mas a vampira não morreu na hora como os dos filmes. Começou a se debater e fazer um escândalo. Por fim, acabou se jogando pela janela, quebrando o vidro com o impacto. Alex viu ainda o corpo dela na calçada, se desfazendo em cinzas.
Com o barulho, os funcionários do hotel apareceram e ficaram espantados com a janela arrebentada. Alex disse, todo afobado:
– Minha nossa! A corrente de ar daqui é muito forte. E o serviço de quarto é péssimo. Vou procurar outro hotel!
Pegou o notebook e quis sair de fininho. Mas não conseguiu dar um passo para fora do hotel sem acertar primeiro a sua conta e pagar pela janela quebrada. Ficou sem um tostão.

Fystean estava amarrada em uma mesa com uma corda feita de espinhos de roseira. Três homens a interrogavam e andavam de um lado para outro no quarto, impacientes.
– Fystean... Queremos apenas que nos revele onde escondeu a maleta com a localização dos lobisomens da cidade. Isso não é nada demais. Assim que nos contar, soltaremos você.
– Vocês, humanos, querem uma guerra! – respondeu ela. – Certamente vão culpar os vampiros pelos ataques. Nada feito. Podem me matar.
– Não vamos matá-la. Mas podemos ser bastante malvados com o seu novo namorado... Um tal de Alex.
– Não toquem nele, bando de sacos de sangue ambulante! Ele é um humano como vocês.
– Se ele é humano ou não, não nos interessa. Não somos preconceituosos, temos vampiros trabalhando para nós. Além disso, mesmo que não matemos o rapaz, certamente os lobos o farão.
– Desgraçados! Toquem num fio de cabelo dele e eu mesma vou colocá-los na geladeira como mantimento!
Os homens se reuniram, conversaram e depois voltaram a falar com Fystean.
– Voltaremos em uma hora. Espero que nos dê a resposta. Para você ficar mais à vontade, deixaremos um pouco de alho fazendo-lhe companhia. Espero que aprecie.
Os homens saíram do quarto e Fystean berrou, quando um aparelho começou a derramar gotas de chá de alho quente sobre o seu corpo.
– Voltem aqui, seus lanchinhos!
Assim que saíram no corredor, os homens foram surpreendidos por dois lobisomens. Reagiram, atirando com suas armas carregadas com balas de prata, mas não conseguiram atingi-los. Os lobos eram rápidos e bem treinados e deram conta dos homens em segundos. Depois, arrebentaram a porta do quarto e encontraram Fystean. Ela olhou para eles e disse:
– O que estão esperando? Me soltem!
– Nossa patroa nos disse para a soltarmos só depois que nos disser onde escondeu a maleta com a localização dos lobisomens.
– Ah, sim... Eu digo e vocês me matam. Nada feito.
– Então vamos ser lobos maus com você, vampira – eles disseram, rosnando.

Alex corria pela rua sem rumo, pensando desesperadamente numa forma de achar Fystean. Um carro se aproximou e o motorista fez sinal para ele entrar.
– Meu nome é Angelo Donatti – disse o homem. – Sou caçador de vampiros. Dr. Dirol me pediu para ajudá-lo a encontrar a Fystean e eu sei onde ela está. Vamos! Não temos muito tempo.
– Ok, então! – disse Alex. – Eu vou com você. Não tenho nada a perder, mesmo!
 Angelo aparentava ter uns 45 anos. Tinha cabelos grisalhos e um rosto confiável. Tinha uma pequena cicatriz vertical de 3 centímetros do lado direito da boca. Seus olhos eram azuis e tinha a pele bem morena. Tinha um pequeno desvio na coluna que o deixava olhando para baixo. Ele levou Alex até um prédio no centro de Curitiba. Antes de sair do carro, o caçador pegou uma arma e uma estaca na sua mala. Alex perguntou nervoso:
– Estaca pra quê? Não pensa em matar a Fystean não é?
– Calma rapaz. Eu e ela já nos encontramos algumas vezes antes. Estou só me precavendo.
Eles entraram no prédio e, quando subiram ao andar indicado pelo caçador, Alex viu três homens mortos, estraçalhados, no corredor. Um deles era o sujeito que tinha encontrado no banheiro do hotel. Quando chegaram na porta do apartamento onde Fystean estava prisioneira, ouviram ruídos muito fortes no seu interior.
– Corra! – gritou Angelo, de repente, puxando Alex.
A porta do elevador explodiu. Quando a fumaça se dissipou, Alex viu Fystean aparecer, segurando os corpos de dois lobisomens pelos pescoços.
– Por que demoraram tanto? – perguntou ela. – Tive que me divertir sozinha!


Alex, Fystean e Angelo Donatti estavam no quarto de Alex. Fystean, ao saber do que houvera no hotel anterior, já tinha providenciado um quarto em outro hotel, tão chique quanto o anterior, para o namorado.
– Aquela condessa loba traidora vai me pagar! – murmurou ela, raivosa. – Fingiu que fazia um trato com você, Alex, mas a vagabunda queria me matar.
– Então não preciso mais virar babá de lobisomens em São Paulo – disse Alex, aliviado. – Não tenho condições para sustentar três lobos!
– Claro que não! – gritou Fystean. – Ela que se atreva a chegar perto de você! Faço cachorro-quente de loba!
– Tenha cuidado com quem você anda, meu rapaz... Ou faz outras coisas – disse Angelo para Alex, olhando para Fystean enfurecida. – Bom, já vou andando.
– Eu tenho que te agradecer desta vez, caçador – disse Fystean, controlando-se. – Obrigada por ter cuidado do meu Alex.
– E eu, desta vez, vou te deixar em paz – respondeu Angelo. – Adeus.
Ela fechou a porta depois da saída de Donatti e olhou, sedutora, para Alex.
– Bem, onde estávamos, quando fomos interrompidos?
– Íamos jantar – relembrou ele.
– É mesmo! O jantar...
Fystean tinha começado a tirar a roupa. O rapaz esqueceu imediatamente que estava com fome. Os dois se abraçaram e se beijaram.
– Acho que temos algo para terminar... – ela sussurrou.
Fystean tirara a camisa do Alex e estava beijando o seu peito. Ele sorriu e suas mãos passearam pelo corpo nu dela.  Ela começou a lamber o corpo dele até chegar ao pescoço. Alex estava meio fora de si, completamente atordoado. Então ela abriu a boca e, em seguida, os seus caninos se enterraram no pescoço de Alex. Ele nem teve tempo de dizer algo. Só se lembrou, tarde demais, que o jantar dos vampiros era sangue dos humanos. Fystean o segurou nos braços, enquanto ele ia perdendo os sentidos.
– Por quê? Que fiz para você? – ele murmurou.
– Muito... Por isso, isto aqui é o meu presente a você, meu amor. Agora será um vampiro. Meu eterno vampiro.
Um vampiro? Alex sorriu. Não parecia tão ruim, afinal de contas. Estava ficando tudo escuro. Uma nova vida ia começar para ele. Alex levantou os braços e disse:
– De agora em diante, todos irão me conhecer como Lord Devon.



Calendário dos Vampiros - 2015

Calendário dos Vampiros - 2015



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Abraços
Adriano Siqueira

A Carta - conto de vampiros



- A Carta -

Por Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com








Sandra não gosta de viajar. Mas Transilvânia é um convite que ninguém recusaria!

Normalmente ela recebe convites para decoração através dos seus e-mails, não era esse o caso. A carta havia sido escrita a mão! Coisa muito rara hoje em dia, ainda mais quando as passagens estão no envelope. Seu trabalho era mesmo reconhecido no Brasil, mas no exterior? Pensar em como seu currículo seria enriquecido se decorasse uma casa na Transilvânia, a deixava muito eufórica - não importava que a carta dissesse que só poderiam atender à noite! Quem se importa?

Depois de mais de 6 horas de vôo, um carro já a esperava! O motorista não falava muito bem português, arrastando muito para o espanhol! Dizia algo sobre o dono da casa já aguardar a presença de Sandra...

O motorista pára perto de um morro e aponta para uma colina logo no final da cidade.

— É lá, senhorita! Devemos continuar o percurso a cavalo! - A charrete esta nos aguardando!

No caminho, o homem olhava para Sandra... Como se procurasse algo... E encontrou! As mãos do então motorista, que mais parecia um guarda-costas, pegaram seu pescoço e ele abriu a boca, revelando os dentes caninos para mordê-la... Sandra pula da charrete e cai ribanceira abaixo, correndo pela estrada quando um homem aparece.

— Esse lugar é perigoso para uma mulher andar sozinha!

— Quem é você e como fala a minha língua?

— Seus trajes a denunciaram... Meu nome é Thomas!. Você está pálida!

— É meu charme! Acho que um vampiro queria me morder!

— Não precisa ser um vampiro para querer te morder! - Disse Thomas chamando seu cavalo!

— Venha comigo! Eles atacam à noite... Venha para minha morada! - Thomas deu as mãos para ela subir. Uma armadilha sem dúvida, mas até então, era isso ou ficar lá só esperando ser jantar de algum vampiro.

— Tudo bem! Espero que tenha um chá bem quente!

— Aqui a bebida mais conhecida é o rum! As pessoas adoram álcool. Aqui é muito frio!

Sandra coloca os braços em volta do estranho e ele galopa velozmente para o castelo que estava perto.

— Você mora aqui?

— Sim... É a única moradia por perto. Venha... Vou mostrar seu quarto. Não se preocupe... É natural que tenha medo. Afinal aqui é o lar dos vampiros, não é?

Sandra sorri:

— Sim, é verdade. As lendas aqui são terríveis!

— Acredite em todas! A propósito, fui eu quem a chamou! Mas não enviei ninguém para apanhá-la, pois não sabia a que horas chegaria!

— Entendo perfeitamente – disse ela, olhando com desaprovação de tão clara era mentira que Thomas disse, pois ele havia comprado as passagens e com certeza saberia que horas ela iria chegar.

— Olhe ao seu redor, Sandra... Veja quanto trabalho terá!

— A começar pelas suas roupas de séculos passados! - Ela fecha a porta na cara de Thomas e ele sorri... E grita:

— O jantar será às nove horas!

— Jantar as nove horas? - Sandra vai até o guarda-roupa e olha com desaprovação, embora as roupas foram as coisas mais novas que ela encontrou lá. Parece que seu anfitrião sabia exatamente do que Sandra gostava.

Ela veste um vestido preto com alguns desenhos dourados envolvendo todo o vestido, colocando um pequeno lenço vermelho ao redor de seu pescoço, solta os cabelos e coloca uma sombra não muito visível, mas o suficiente para chamar a atenção. Embora estivesse frio, o castelo não tinha muita corrente de ar... Mas os barulhos de ratos e gotas pingando deixavam o ambiente inquieto e inseguro.

Sandra sai do quarto e anda pelos corredores do castelo até chegar na escada que dá para a sala de jantar. Uma mesa enorme servida apenas por dois garçons. Com variações de comida local e algumas coisas bem típicas brasileiras, como frutas etc.

— Demorei muito para encontrar as coisas da sua terra, mas quero que se sinta em casa!

— Nunca vou me sentir em casa com seus ratos fazendo festa pelo castelo...

— Pois saiba que esses "ratos" comem baratas e aranhas e tenho certeza não encontrou nenhum na sua cama!

— Não sei! Nada ainda me fez ter vontade de ir pra cama! - Sandra estava atacando a jovialidade de Thomas. Mas ele também sabia jogar!

— Acredito que os camponeses daqui tenham te chamado mais a atenção!

— Talvez, Thomas! Gosto de gente que trabalha e batalha pelas suas coisas!

— É claro... Andar pela floresta sozinha a deixou humilde! Pois vou dizer uma coisa que não sabe. Se você for agora para lá, para a vila, todos vão querer pendurá-la em uma árvore! Sabe, Sandra, as pessoas acham que este lugar é amaldiçoado!

As luzes das velas estavam ficando mais fracas, até que um relâmpago ilumina Thomas por completo. Rindo com os dentes salientes... Sandra leva um susto e fica bem grudada à cadeira. Mas as luzes voltam e ele estava absolutamente normal!

— O que foi, querida Sandra? Viu um fantasma?

Completamente pálida e suando, Sandra balança a cabeça negando ter visto algo. Ela tinha que sair de lá, e rápido!

— Eu preciso ir para o quarto, Thomas. Não estou me sentindo bem.

— Mas é claro, minha querida, a viagem era mesmo cansativa... Merece um descanso! Depois irei visitá-la em seus aposentos!

— Tudo bem, Thomas!

Ela ficou na cama, pensando em uma maneira de escapar dali. Mas nada tinha em mente.

Por mais que lutasse, Sandra estava cansada e adormeceu. No seu sonho, muitas imagens apareceram, era como se ela estivesse vivendo o sonho de outra mulher. As roupas diferentes. Épocas distantes. Banquetes de sangue e sempre que ela olhava para o lado, Thomas aparecia.

Enquanto Sandra tinha os mais diversos sonhos, uma névoa entra vagarosamente pela porta e, aos poucos, vai se transformando num corpo de homem. Era Thomas! Sentado na cama ele, passa as mãos no rosto de Sandra e sente o calor de sua pele...

— Não posso... Maldita é a fome e o desejo de amar...

Sandra acorda e olha para Thomas. Levando as mãos dele para o rosto dela! Ele a beija e seu beijo fica cada vez mais ardente... Mais desejos invadem aquele quarto! As mãos de Sandra tentam encontrar a estaca embaixo da cama, mas para sua surpresa, não encontram... Havia um rato brincando com ela, levando-a para mais longe de Sandra!

— Eu quero você, Sandra!

— Oh, eu também te quero, Thomas!

Ela pulou para o outro lado da cama para encontrar a estaca, mas foi em vão, o rato estava brincando com ela... Até que a estaca rola para a o lado esquerdo da cama, quase deixando Thomas ver. Ela troca de posição com o homem para deixar só ela vendo!

— Preciso do seu pescoço, Sandra!

— Claro Thomas! - Ela salta para fora da cama e senta-se perto da estaca...

— Porque saiu da cama? - Dizia Thomas atônito!

— É para não sujar a cama. Afinal, se me morder, vou ter que cuidar do castelo!

Thomas ria insanamente:

— É verdade. Agora venha!

Sandra com a estaca na mão, escondida por trás de seu corpo, chega perto de Thomas.

— Feche os olhos, Thomas! As nossas vidas jamais serão as mesmas!

Ele fecha os olhos e ela enfia com força a estaca no seu peito, fazendo Thomas instintivamente agarrar Sandra e mordê-la com a estaca enfiada e em seguida seu corpo se transforma em pó.

Depois de horas, ela acordou. Sandra só queria sair daquele lugar. Arrumou as suas malas e saiu do quarto. Antes de partir. Sua curiosidade foi maior. Ela tinha que conhecer o quarto do Thomas. Ela abriu a porta e viu que o quarto parecia ser de um príncipe. Ele tinha bom gosto. A decoração do quarto dele era um exemplo em decoração. Muito bem planejado. A não ser por aquele quadro velho. Não combinava com o quarto. O quadro mostrava Thomas com uma mulher. Uma mulher muito parecida com a Sandra. Ela sorriu e partiu...

Mais tarde, no avião, lendo o jornal. Sandra lê uma matéria sobre prováveis vampiros na região, quando o passageiro sentado ao lado dela pergunta:

— Você acredita em vampiros?

Sandra não responde. Ela apenas vai em direção ao passageiro e abre a sua boca mostrando os caninos pontiagudos e diz:

— É hora do jantar.

Um Minuto de Desespero - Conto de Vampiro


Um Minuto de desespero





Um Minuto de desespero

─ Alô!

─ Preciso dizer quem sou?

─ Como Assim? Quem é? Como sabe meu número?

─ Você estava sonhando comigo... Acordou com o toque do telefone.

─ Isso é loucura... Eu não tenho certeza.

─ Sentiu o vento frio abraçando seu corpo?

─ Certamente que senti, Olha, eu não sei o que quer mas isso tudo está estranho, vou desligar.

─ Se fizer isso vou aparecer e não serei gentil pois estou com muita fome.

─ Não sei quem é você e se pensa que esta conversa me assusta está enganado.

─ Não ligue pro seu amigo! Desligue o celular! Agora!

─ Como sabe que eu peguei o celular enquanto falamos no telefone?

─ Isso mesmo. Procure em sua volta. Olhe pela janela. Eu não estou em lugar nenhum. Apenas te vejo. Te sinto. Eu disse para desligar o celular.

─ Alô!

─ Ivan! Tem alguém no telefone ele me ameaçou...

─ Alô Ana? Que está acontecendo?

─ Desculpe Ivan. Ela não pode te atender.

─ Quem está falando? O que fez com ela?

─ Descobrirá nas manchetes amanhã. Tenha uma Adorável Noite.





Autor: Adriano Siqueira









Leia a continuação neste link:

Parte 2


Parte 3


Diversos Wallpapers Góticos

Aqui você encontra uma variedade de imagens com mensagens de diversos autores que você pode usar no seu blog ou enviar aos amigos nas redes sociais.


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A lenda do Morcego Branco

Uma fábula de Adriano Siqueira


Geraldo, Alcides eram amigos a muito tempo e resolveram trazer o Lucas para pescar naquele rio. Eles eram bons para pescar e sabiam que ele jamais havia pescado. Seria ótimo contar para os seus amigos da escola que ele era mesmo um perdedor. Eles fizeram uma aposta com o Lucas para ver quem conseguia pescar mais peixes. Era comum naquela cidade que os jovens que pescavam mais peixes se tornavam grandes líderes de sua escola. Mas pescar a noite... Isso sim era um ato de coragem!

Geraldo olha para o rio e dá um sorriso e pergunta para o Lucas:
- Tem certeza que não quer desistir Lucas?
Lucas estava com a lanterna no chão e enquanto estava mexendo na sua mochila. Ele olha para o Geraldo...
- Não! Nunca! Se vocês já pescaram por aqui eu também posso!
Alcides olha para o Geraldo e dá um sorriso e todos começam, a armar as suas varas de pesca. Em poucos minutos os três estavam em silencio esperando o primeiro peixe quando de repente escutam um barulho. Lucas se assusta e deixa cair a sua vara no rio.
- Droga! Perdi a minha vara!
Geraldo e Alcides riem da situação do Lucas e comentam.
- Desista Lucas! Já é difícil ganhar da gente e agora que perdeu a sua vara podemos nos considerar vencedores.
- É isso mesmo Lucas! Você sempre será um perdedor!
Revoltado e olhando para a sua vara de pesca sendo levado pelo rio, Lucas responde:
- Eu não vou desistir! Vou pensar em outra maneira de pescar os peixes eu já volto.
- Peguei um! Peguei um! Geraldo gritava alegremente.
Lucas pega a sua lanterna e sai da beira do rio deixando os dois comemorando. Lucas anda pela floresta e fica falando sozinho.
- Eu nunca vou conseguir pescar os peixes. Eles têm razão! Sou mesmo um perdedor. O pessoal da escola vão rir de mim o ano todo! Para completar a minha namorada Marisa estava fazendo um bolo para comemorar a minha pesca. Tenho certeza que ela vai jogar ele na minha cara! Perdedor! Perdedor!
Lucas ouve novamente aquele barulho estranho e resolve investigar. Ele vai seguindo o barulho até chegar em um espinheiro enorme e ele finalmente vê um morcego branco preso bem no meio dele.
- Ah... Então foi você que me deu um susto... Eu deveria deixá-lo ai para sempre! Tem ideia do que você fez com a minha vida? Do que estou falando? Ele é apenas um morcego em apuros.

O morcego se debate tentando se livrar mas os espinhos estavam ferindo ainda mais o seu corpo. Lucas não aguenta ver a angustia do morcego. Ele tira a sua camisa e rasga em dois pedaços. Ele enrola um pedaço em cada mão, quebra alguns galhos, tira os que estavam prendendo o morcego. Ele pega o morcego e tira do espinheiro.
Lucas coloca o morcego no chão. O morcego se lambe um pouco e logo depois de recuperar as suas energias, finalmente sai voando.
Lucas dá um sorriso e diz:
- Pelo menos alguém se deu bem nesta história. É melhor voltar para o rio. Não vou conseguir pescar nada mesmo.
Quando Lucas chega no local onde os seus colegas estavam ele vê que cada um pegou cerca de dez peixes.

Eles estavam rindo a toa e começaram a rir mais ainda quando viram que o Lucas havia chegado.
- Olha lá Alcides! O perdedor assistindo nossa conquista!
- É Geraldo! Vamos fazer um troféu de perdedor e pedir para as garotas mais lindas da escola entregar para o rapaz! Vamos tirar fotos e espalhar pela internet! Ele vai ficar famoso!
Furioso, Lucas responde:
- Pois podem parar de rir! Saibam que eu tenho um plano para pegar mais peixes que vocês! Mas para isso eu preciso ficar sozinho aqui na beira do rio!

Lucas disse isso para não ter que ficar ouvindo os seus colegas caçoando da sua cara até chegar em casa. Ele bem sabia que não tinha plano nenhum. Ele ficou assistindo os seus colegas arrumarem as suas coisas, Eles deixam um cesto para Lucas colocar os peixes e antes de partirem eles avisam que receberá o troféu de perdedor logo que chegar na escola pela manhã.
Lucas senta na beira do rio bem ao lado do cesto vazio e fica ali, pensando na sua derrota. Era humilhante demais. Ele não queria mais pertencer aquele mundo. Quando mais ele pensava em como seria amanhã mais ele queria acabar com a sua vida. Ficou pensando em se jogar no rio e acabar com tudo ali mesmo. Ele estava chorando. Lucas levanta e se prepara para mergulhar naquele rio frio. Ele sabia que não iria sobreviver, pois nem sabia nadar. Ele respira fundo e é surpreendido por uma voz feminina.
- Então acabou!
O coração de Lucas dispara. Ele liga a lanterna e fica procurando a pessoa que disse aquilo. Ele fica gritando... – Quem está ai? – Quem é você? - Apareça alma penada!
Aos poucos uma mulher aparece bem perto da beira do rio. Ela era bem pálida e usava um vestido branco. Seus lábios vermelhos mostravam claramente os seus dentes pontiagudos.
- Você é uma Vampira?
- Quem eu sou não importa! O que você vai fazer... Sim!
- O que eu vou fazer não é da sua conta! Você não sabe nada sobre a minha vida!
- Eu estou aqui faz um bom tempo. Eu ouvi o que seus colegas disseram. Vai ser um verdadeiro perdedor se continuar com esse seu plano insano.
- É minha vida! Faço dela o que eu quiser.
- Vocês humanos vivem colocando fantasias nas suas cabeças só para ficarem tristes. Acham que procurando a morte, encontram a salvação. Será que não entende que os problemas fazem parte da vida? Que eles aparecem para ser enfrentados.
Lucas abaixa a cabeça e diz:
- Eu não sei como vou resolver isso.
- Você já está resolvendo. Você está desabafando com alguém. E geralmente os problemas de alguns são fáceis para outros.
- Acha que pode resolver isso?
- Não completamente. Mas posso ajudar. Se quiser.
- Claro que quero! Mas... Mas o que vai querer em troca?
Ela sorri e se aproxima... Diz quase sussurrando:

- Um amigo!
A Vampira olha para as arvores e com apenas alguns gestos vários morcegos aparecem e ficam rodeando o rio. Aos poucos, eles vão mergulhando no rio. Cada morcego pega um peixe e joga no cesto de Lucas. Em poucos segundos os morcegos conseguem encher o cesto. Lucas fica impressionado com toda aquela cena. Seus olhos começam a lacrimejar. Ele olha para a vampira e diz:
- Foi mesmo tão fácil para você.
Ele a abraça... Os morcegos voltam para as arvores.
- Se você vier aqui uma vez por semana, os morcegos encherão o seu cesto e assim poderemos conversar. A floresta é um lugar muito solitário.
Lucas concorda. Dá outro abraço na vampira. Coloca o seu cesto nas costas e segue o seu caminho alegremente pois ele sabe que amanhã será um ótimo dia.
Enquanto Lucas se afasta da beira do rio a vampira se transforma novamente naquele morcego branco que ele salvou.
 

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